
Hoje quero fugir um pouquinho do propósito deste blog. Peço licença a vocês para compartilhar uma pequena estória que ouvi do sr. Walter - uma excelente pessoa e um dos últimos "óticos" profissionais que conheci. O sr. Walter foi professor da disciplina de ótica no curso de especialização em oftalmologia na Santa Casa de Misericórdia. Então, trata-se de uma grande figura humana, daqueles que queremos colocar um banquinho bem pertinho e, ouvi grandes histórias e lições de vida...
Num momento de tristeza ele,com sua peculiar sabedoria,se propôs a contar-me uma parábola. "Há muito tempo, existia um homem muito rico. Este homem ainda era jovem e queria fazer muitas coisas, pois não necessitava mais ficar somente trabalhando. Assim, pegou todos os seus bens e os dividiu, entregando cada parte a uma pessoa para que cuidasse dos bens e fizessem com que prosperassem. Então, coube a um muito ouro, a outros jóias...
Muitos anos se passaram e aquelas pessoas já nem se lembravam de que não eram os verdadeiros donos de tanta riqueza.
Num belo dia, após viajar e conhecer os mais longínquos lugares, apareceu à porta o antigo proprietário de toda aquela fortuna. E qual foi a surpresa daquelas pessoas! Afinal já se sentiam "donas" da riqueza de outrem! E, o homem rico reivindicou todas as suas jóias aos tutores que havia constituído anos atrás. E as pessoas tiveram que entregar tudo aquilo que não lhes pertencia!
Após ouvir a pequena estória, o sr. Walter concluiu: " Sandra, nesses dias o dono das jóias veio até você e reivindicou o que era dele. Assim, o Deus criador pediu para Si a sua tão amada mãezinha. Ela ficou com vocês por longos anos, mas agora Ele a chamou de volta".
Ontem mamãe faria 64 anos. Certamente teríamos uma grande festa, pois ela amava comemorações! Infelizmente, não tenho sua companhia física. As lembranças dos nossos momentos, o legado de honestidade, ética, amor e compaixão ficaram marcados em mim para sempre. Sei que mamãe está muito bem. Tenho certeza de que Deus cuida muito bem dela, pois uma mulher tão especial só poderia ser a jóia preciosa que o Senhor nos emprestou por tão curto tempo. Ela faleceu com apenas 58 anos. Era bonita e quando estávamos juntas, inúmeras vezes, achavam que éramos irmãs... Ai, ela ficava toda envaidecida.
Já são quase 6 anos de saudades que divido com minha irmã e meu marido.
Contei esta parábola, pois sei que muitos passam por momentos de perdas e, saber que podemos ver de outra forma, nos consolarmos com o inevitável/perda e experiências traz um pouco de alívio a um triste coração. Espero poder ajudar alguém que esteja triste e, tentando seguir em frente... talvez até navegando por aqui.
Obrigada sr. Walter! Já se passaram quase seis anos e, nunca esqueci este carinhoso consolo. Hoje, partilho com outros aquilo que me fez tão bem!
Obrigada e desculpe-me pela longa postagem.
Com amor, Sandra.
Saudades...
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